Sim, eu aceito!

“Para  que todos vejam, e saibam, e considerem, e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isto”. (Isaías 41:20)

O meu primeiro conceito sobre o amor é baseado nos meus pais! Sim, ao dividir boa parte da minha vida com eles, eu pude conhecer o legítimo sentido desta palavra, onde cresci vendo o amor entre duas pessoas de uma forma bem simples. Meus pais são a expressão do amor que o Senhor Jesus nos ensinou. Eles são casados há 29 anos e são a minha maior referência. Os pais fazem parte do desenvolvimento da criança e compõem a imagem que o filho terá a respeito de casamento e de família. E, no meu caso, afirmo com muita propriedade, que os meus pais formam um conjunto de tudo aquilo que eu sempre esperei para um casamento feliz e um lar bem estruturado.

O texto de hoje conta sobre uma das mais lindas promessas que Deus cumpriu na minha vida, e como eu conheci o homem que vai preencher os meus dias até que a morte nos separe! Contarei sobre o dia em que cheguei ao altar e disse: “Sim, eu aceito” diante de testemunhas e pessoas que me amam. No entanto, eu não poderia falar de mim sem antes mencionar os meus pais! Eles são o sinônimo de tudo o que eu sou hoje. Mas, mesmo com a boa influência deles, é comum existir uma dose de receio no que se refere a encontrar alguém que atenda aos nossos ideais, afinal, é normal a menina idealizar e ter o sonho de conhecer alguém especial. E comigo nunca foi diferente!

Minha mãe é uma mulher inteligente, guerreira e muito presente no meu dia a dia, eu sempre recorria a ela quando algo não estava legal. Meu pai, um homem justo, conselheiro e observador (Risos). Ele era do tipo: “Filha, eu não gostei, ainda não é ele”! E eu, é claro, sempre indagava: “Como você sabe, pai? Nem deu chance da pessoa dizer um ‘oi’!” (Risos). Meu pai mal conversava e parecia que já tinha descartado o pretendente (Risos). E se eu contar para vocês que ele sempre foi o mais ciumento da família? (Hehe). Nunca foi muito fácil agradá-lo, justamente porque o meu pai sempre intercedeu ao Senhor para que eu conhecesse alguém que atendesse aos nossos princípios, de bom caráter e, principalmente, que fosse um verdadeiro servo de Deus. Agora deu para entender melhor aquela história de receio? (Hehe). Mas, em confronto com aquela preocupação, havia a certeza de que essa pessoa já havia sido escolhida minunciosamente pelo Senhor. Sendo assim, viria de encontro com os sonhos que o próprio Deus fez brotar em meu coração. Eu só não sabia de que forma eu o conheceria ou se levaria uns cinquenta anos para ele aparecer… (Risos).

É comum passarmos por algumas frustrações ao longo da vida, e a coisa pode ficar ainda mais séria quando não tomamos uma posição firme diante do que não nos faz feliz! Às vezes, preferimos remoer um sentimento malfadado do que abrir mão do mesmo. Relaciomentos devem ser saudáveis! Conselhos dos pais devem ser ouvidos! (Ah, como devem!) E bons e maus exemplos devem ser observados! (Hoje sou experiente nisso! Hehehe)

Fui uma adolescente bem tranquila, sempre gostei de ocupar o meu tempo com os meus amigos, com a minha família, visitando igrejas e indo a congressos de jovens cristãos. Priorizava as coisas do Reino de Deus e mesmo no auge da adolescência (Ô, fase difícil!) já entendia quem era o Senhor da minha vida. Em 2004, ingressei no meu ensino médio e tive a oportunidade de construir novas amizades, mas dentre essas amizades havia uma pessoa que, futuramente, seria um instrumento de Deus na minha vida. Conheci uma menina autêntica e espontânea! Falava o que vinha à cabeça! Às vezes ponderava, em outras não media muito as palavras! (Hehe). Mas se preocupava e amava os seus amigos com intensidade. Me acompanhou em muitos momentos, inclusive aqueles onde eu me encontrava um tanto decepcionada com experiências ruins. Com o passar dos dias, aquela menina que eu conheci no ensino médio já não era apenas uma amiga, mas se tornou parte da minha vida de uma forma bem especial.
Certo dia, eu estava no terraço da antiga casa onde eu morava me refrescando na rede, pois estava muito calor (é claro que eu não iria esquecer dos detalhes, rs) e recebo a ligação dela! (Nessa época a nossa amizade já tinha, em média, uns oito anos. A amizade foi além do colegial!). Normalmente, ficávamos horas no telefone, mas, neste dia em especial, a ligação foi bem rápida. Atendi a ligação da Fernanda (o nome dela) e ela já foi logo falando:
– Amiga, como você está?
– Bem, me refrescando um pouquinho aqui no terraço. – Respondi.
– Paula!
– Oi?
– Tenho um amigo muito legal, de bom caráter e de Deus (O tal menino quase explodiu com tantos elogios) no qual eu gostaria muito que você conhecesse! (Ela, como sempre, indo direto ao ponto!)
– Amigo? Me apresentar por quê? (Já achando aquilo tudo muito estranho)
– Ah, estive pensando… O seu pai vai gostar dele! (Risos)- Respondeu ela.
(Naquela altura do campeonato ela já sabia do meu “pequeno” obstáculo com o meu amado pai! Hehehe).
Fiquei muda por alguns segundos, pensando: O que será que ela quer com isso?
– Brincadeira, Paula! – Disse ela. Sabe o que eu acho? Que não é apenas o seu pai quem vai gostar dele… (Com um sorrisinho bem desconfiado).
– Ai, ai, Fernanda! Você sabe muito bem que eu decidi virar freira! Desisti dos homens! (Sempre brincávamos assim! Haha). Aliás, não deve existir todas essas qualidades numa pessoa só! Não é possível!! (Falou a pessoa mais frustrada da vida! Hehe)
– Paula, amiga, minha linda… Relaxa! (Após isso, mudamos de assunto, conversamos mais um pouquinho e nos despedimos).

No dia seguinte, acreditando que ela estava brincando e já havia esquecido aquela história do “tal amigo”, me surpreendi com uma solicitação de amizade no facebook. (Era o tal amigo legal e cheio de qualidades que eu achava que era imaginário). Fui imediatamente até ela e perguntei:
– Amiga, o seu amigo “legal” me adicionou! O que eu faço? Você estava falando sério? De onde ele é? Ai, Jesus…
– É claro que estava falando sério, Paula! Ele é da minha igreja. – Respondeu.
– Como assim? Sempre visitei a sua igreja, nunca me falou dele…
– Paula, eu só posso te dizer que tudo tem o seu devido tempo. Nunca falei dele, pois Deus escolheu o dia de hoje para falar sobre ele com você! E continuou: Amiga, o Átila (Esse é o nome do amigo legal! Rs), teve muitas experiências ruins também. Assim como você! Eu não podia apresentá-lo antes, ele estava sendo PREPARADO PARA TE RECEBER!

Fernanda é brincalhona, mas quando fala sério… Bom, ela fala sério de verdade! (Risos).
Foi aí que eu decidi dar uma chance…. Calma, uma chance de CONVERSAR com o amigo legal. (Não seria assim tão fácil… Hehe)
Em abril de 2014 nos encontramos pela primeira vez. Senti algo diferente. Mas não quis dar o abraço a torcer! Aliás, eu ainda tinha um outro “pequeno” problema a resolver. Lembram? (Meu amado pai!).
Os dias foram passando, Átila e eu conversávamos todos os dias. Trocamos nossas experiências de vida. Átila sofreu um bocado antes de nos conhecermos. Deus permitiu um tanto de coisas na vida dele. Conforme eu ia descobrindo e ouvindo as suas histórias, mais eu entendia que as minhas frustrações do passado não chegavam perto das dele! Eu só conseguia pensar em duas coisas, a primeira: MEU PAI! (Hehe). E a segunda: Esse homem realmente sabe o que quer! Átila não correria o risco de passar por tudo isso novamente! Sofreu, mas jamais pensou em abandonar o Reino de Deus. Permaneceu firme, sem esmorecer. (Isso, de fato, me chamou a atenção!).
Em uma de nossas conversas, Átila perguntou se eu não iria apresentá-lo aos meus pais. Meu coração disparou de uma tal forma… E o receio do meu pai não gostar dele? Parecia algo difícil de acontecer, mas, para o sr. Sebastião, NÃO! (Risos). Devido às muitas experiências (ruins) que o Átila viveu, muitas coisas me levavam a crer que o meu pai, definitivamente, iria descartá-lo, assim como fez com os outros. Eu realmente hesitei! Duvidei! Enrolei! (Risos). Mas, depois do Átila me cobrar muito, enfim, chegou o dia de falar sobre ele para o meu pai. E a minha mãe, é claro, já havia preparado o terreno… (Hehe)

– Pai, eu conheci uma pessoa bem legal (Dei um sorrisinho sem graça pra suavizar o clima).
Neste momento, eu pensei: Meu pai não vai acreditar nessa história de ‘legal’, vai pensar a mesma coisa que eu pensei quando a minha amiga me contou sobre ele… (Hehe).
– Amigo? Qual a idade? De onde você o conhece? (Até que foram poucas perguntas, achei que ele iria pedir até o RG).
– Pai, vamos lá…
Foi então que eu contei sobre a vida do Átila, sobre a sua família e sobre as suas experiências…
Bom, chegou a hora dele falar. E, para a minha surpresa, ouvi a seguinte frase do meu querido pai:
– “FILHA, ELE É A RESPOSTA DAS MINHAS ORAÇÕES!” (Exatamente com essas palavras).

Pronto, meu pai não precisou falar mais nada. Acho que aquela frase ecoou por uns bons dias nos meus ouvidos. Na verdade, ela estará eternizada pra sempre no meu coração!
31 de maio de 2014, foi o dia em que eu ofereci o meu primeiro “sim” ao Átila. Meu coração transbordava de uma alegria ainda um tanto tímida, afinal, será que eu encontrei o grande amor da minha vida? Para mim, ainda existia muitas coisas a serem consolidadas. Com passar dos nossos dias juntos, fui percebendo que aquele meu primeiro “sim” era o início do cumprimento da promessa do Senhor na minha vida (em nossas vidas). Fui conhecendo não somente o meu atual namorado, mas principalmente, reconhecendo no Átila o homem da minha vida.

Pensar, repensar, analisar… Sim, esta sou eu. Ser decidido, seguro, objetivo… Sim, este é ele! Como alguém que me conhecia há dois meses já tinha me pedido em casamento? Éramos tão diferentes nesse aspecto! Deus só poderia ter um propósito com aquilo! (Hehe)
Pois é, a obra do Senhor foi completa! Não me deu o que eu pedia em oração, mas, me deu exatamente o que eu precisava: Um homem firme, convicto, pronto para mim e para me amar longe de qualquer receio ou dúvida. Em janeiro de 2015 foi o nosso noivado. Fizemos questão de estarmos cercados de pessoas que intercederam junto a nós para aquele momento acontecer. E percebi que, quando a gente quer passar o resto da nossa vida com alguém, a gente quer que o resto da nossa vida comece o quanto antes…
Foi assim que a minha alegria, antes um tanto tímida, foi se transformando numa certeza que me levou PARA O “SIM” MAIS IMPORTANTE DA MINHA VIDA: O nosso casamento!
Nossas histórias se encontraram e, com a graça do nosso Deus, no dia 23 de janeiro de 2016 demos início a nossa eternidade em dias numerados pelo Senhor! Todos eles escritos e estabelecidos pelo nosso Pai! O nosso casamento tem sido acompanhado do favor desse Deus maravilhoso que nos permitiu essa alegria legítima que hoje, ambos, estamos vivendo! A minha alegria é ainda maior ao ver no meu lar aquele amor simples que eu reconhecia nos meus pais e, principalmente, por ter um lar estruturado no Senhor que regeu toda esta história.
Para mim, meu amor, cada dia ao seu lado tem sido um infinito cheio de dedicação, respeito e amor! Pois a nossa fonte de felicidade independe de fatores externos, ela é permanente, é genuína, ela vem do Pai que está intervindo em favor dessa união que Ele mesmo estabeleceu.
Hoje, completando o nosso primeiro ano de casados, peço a Deus que renove a cada dia a nossa aliança. Pois quem faz aliança torna-se aliado. Um aliado é um companheiro, um amigo, um parceiro, alguém que defende as mesmas causas. Creio que chegamos até aqui para a honra e glória do nosso Senhor. E estou bem certa de que os dias que estão por vir também serão assistidos e agraciados pelo nosso Pai.
Eu te amo, Átila Ferreira!
Com amor,
Sua esposa.
Geralmente, nos privamos de receber algo especial vindo do Senhor, justamente por sustentarmos uma experiência desagradável que passamos na vida. Com certeza seria muito mais fácil nos trancarmos no quarto e ignorarmos algo que pode ser uma ‘ameaça’. Confesso que, em alguns momentos, eu quis ir pelo caminho mais fácil! Porém, vendo tudo o que o Senhor realizou na minha vida, compreendo que foi Ele mesmo quem abriu e preparou o meu coração para receber um dos maiores presentes da minha vida!
Confie nos propósitos de Deus e experimente tudo aquilo que Ele reservou pra você! Sem receio, sem dúvidas!
Deus o abençoe!

 Assista ao trailer do casamento ❤ :

Céu

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Eu sempre gostei do céu. Na verdade, acho que a palavra fascínio cabe melhor na frase. Desde que me entreguei ao Senhor o céu passou a me fascinar. Quantos momentos dediquei a olhar as almofadas de algodão com suas diferentes formas espalhadas pela imensidão azul lá de cima e ah, como os rastros de nuvens espalhados como em uma aquarela durante o pôr-do-sol me encantam!

Sempre que as coisas aqui por dentro de mim andavam difíceis, eu olhava para o infinito do céu e pensava na grandeza de Deus. Ele tinha estendido o céu com Suas próprias mãos(Is 42.5), nada poderia ser maior que Ele. Naqueles momentos eu costumava me sentir tão pequenina e ganhava a plena certeza de que nada em minha vida poderia superar a força daquele Deus. Absolutamente nada.

O mundo está envolto em Seu poder, os céus proclamam Sua glória e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos. E mesmo assim, como Ele consegue me amar tanto? Tentava me imaginar lá em cima, olhando para os que estão aqui na terra. Imediatamente me vinha à mente as vezes em que andei de avião e não conseguia enxergar uma viva alma aqui em baixo. Mas Ele consegue. Ele vê. Ele assiste. Ele está perto. Seu trono está acima dos céus, mas também está aqui, no meu coração. Eu sou Casa de Deus e Ele não me trata como se eu fosse insignificante.

O Deus que criou o Universo contempla o meu interior. Ele sabe o que eu sinto, o que eu penso, meus sonhos mais profundos. O mais incrível de tudo está em perceber que Ele sonha comigo, Ele tem propósitos pra mim. Ele me salvou e me salva de mim mesma todos os dias, mesmo que eu não mereça. Ele me apresenta uma nova forma de vida centrada no amor, na paz, na esperança e na fé todos os dias. E Ele não desiste. Ele não se cansa.

Um dia Ele virá. Sim, virá me buscar. E aquele lugar que hoje eu contemplo com os olhos, será minha casa. Eu me assentarei na mesa com Ele e poderei deleitar-me em Seu amor para sempre.

Talvez seja por isso que eu ame tanto o céu. Ele me faz lembrar de onde vou passar a eternidade: Ao lado do Criador.

 

{+QP} Desafios do dia a dia

Oi gente! 😉 Estou de volta depois de algumas semanas (estava com saudade de postar por aqui) e hoje vou publicar meu texto do projeto +QP!

Tema do mês de Março: “Às vezes, a gente precisa fazer coisas ruins pra ter resultados bons.”

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Subiu as escadas pisando duro e jogou-se no sofá, a chateação estampada no olhar. Seu pai, que estava preparando o almoço, da cozinha observou-a por sobre os óculos. A menina de bochechas magras tinha o cenho franzido e seus lábios formavam um leve biquinho.

– Posso saber o que fez a menina mais alegre dessa casa chegar tão emburrada hoje? – O homem perguntou. A garotinha de 12 anos levantou-se e foi em direção à cozinha e puxando uma cadeira, assentou-se.

– A Mônica brigou comigo. – Disse ela, com os cotovelos apoiados na mesa e as mãos enterradas nas bochechas. – E a mamãe quer que eu peça perdão a ela por isso!

O pai parou de cortar as cebolas e olhou para a filha.

– O que você fez para que ela brigasse com você?

– Nada! – A menina revirou os olhos. O pai continuou a observá-la em silêncio. – Bem… eu comentei com a Ju que a roupa da Mônica estava horrível e a Ju contou pra ela.

– Ah! – O pai meneou a cabeça.

– Agora a mamãe quer que eu peça perdão para a Mônica, mas o que eu fiz foi quase nada perto da explosão que ela soltou em cima de mim.

– Você sabe o que gerou a explosão dela, certo?

A garota balançou positivamente a cabeça e retrucou:

– Poxa, pai… Pedir perdão por isso vai ser muito ruim. Vou ficar com muita vergonha.

– Às vezes a gente precisa fazer coisas ruins pra ter resultados bons.

– Quais seriam os bons resultados? – Seus olhinhos estavam atentos, à espera de uma resposta.

– Ter sua amizade com a Mônica de volta, por exemplo. Você gosta muito dela, eu sei.

Com a expressão mais suave, a menina levantou-se.

– Acho que vou orar para Jesus me dar coragem.

– Aproveita e pergunte a Ele como foi se entregar na cruz por nós. Talvez Ele te responda que foi bem ruim ser humilhado, chicoteado, machucado e pendurado numa cruz, mas que o resultado de sua escolha foi bom, afinal, através dela Jesus trouxe salvação para a humanidade. – Os olhos castanhos do pai brilhavam e os da menina arregalavam-se.

– É, talvez pedir perdão a Mônica não seja tão ruim assim. – Ela sorriu e saiu da cozinha, com a expressão bem mais leve de que quando entrou. Seguiu rumo ao quarto, talvez precisasse começar pedindo perdão ao seu Melhor Amigo por sua atitude antes de pegar o telefone e fazê-lo à sua querida segunda-melhor-amiga.

 

***

Este texto faz parte de um projeto de escrita chamado Mais que Palavras {+QP}. O projeto consiste em um grupo que se reúne no facebook, onde é lançado um tema e/ou roteiro por mês para incentivar a nós, os que sonham em ser escritores, a sair da zona do conforto na hora de escrever. Os temas servem pra dar aquele empurrãozinho na criatividade.

+QP

 

{+QP} Pra onde vai o amor?

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Com um soluço abafado e profunda tristeza no olhar, deitara-se no bom e velho banquinho da varanda, apoiando sua cabeça no colo da vovó Joaquina. Toda vez em que algo a chateava, já tinha destino certo: a casa da avó. Aquela senhorinha de setenta anos de idade, cabelos grisalhos sempre aparados a altura das orelhas e ouvidos prontos a todas as lamúrias de sua querida neta.

– Dessa vez não tem volta, vovó. – Mariah choramingou. – Ele mentiu pra mim pela milésima vez. O que restava de confiança foi para o ralo.

Dona Joaquina passava os dedos por entre os cabelos ondulados da neta, que estavam esparramados em seu colo. No silêncio daquela tarde de outono, o choro de Mariah misturava-se com o canto dos sabiás que também amavam a casa de sua doce avozinha.

– Eu cansei. Acho que nunca vou dar certo com ninguém. Nunca vou conseguir amar e receber o mesmo de volta, ninguém jamais vai conseguir me fazer sentir amada.

Os olhos de Joaquina apertaram-se ao ouvir a declaração de Mariah.

– Eu fico me perguntando… Para onde vai o amor? Para quem vai? Porque eu acho que nunca cruzei com ele pelo caminho.

As palavras da neta entristeceram o grande coração da avó, mas também despertaram nela a lembrança do texto definidor do Amor. Joaquina observou-a, tão nova, mas tão desesperançada e resolveu abençoá-la mais uma vez com suas palavras de consolo.

– Minha querida, o amor não segue um caminho. Ele é o próprio caminho. Nós quem decidimos se vamos trilhá-lo ou não. O amor não é somente um sentimento, ele é antes de tudo ação. – entre fungadas e esfregadas nos olhos, Mariah ouvia o que a sábia senhora tinha a dizer. – O amor é paciente, é bondoso, não inveja, não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus próprios interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Mariah, com os olhos semicerrados, afirmou:

– Quem seria capaz de amar assim?! Esse caminho é muito estreito!

– Uma pessoa foi capaz de amar exatamente assim. Lembra-se de Jesus? Com um amor incondicional, entregou-se pela humanidade na cruz. Ele não considerou nossos pecados e morreu por nós. Ele não tinha culpa, mas escolheu carregar nos ombros e sofrer no corpo a culpa de todas as pessoas. O que acabei de falar sobre o Amor, está escrito em 1Coríntios 13 e na verdade, aquele capítulo mais se parece uma descrição do amor de Deus pela humanidade.

– Ah, aí fica fácil! Jesus é Deus, Ele consegue amar assim. Nós, humanos, não.

– Mas é justamente aí que você se engana. Nosso amor nunca chegará aos pés do amor de Deus, isso é fato. Mas através do Espírito Santo, que é Deus vivendo naqueles que são dEle, há possibilidade de amar verdadeiramente, porque o próprio Autor do amor auxilia nessa árdua tarefa. O problema, querida, é que muitas vezes nós pensamos que o amor se resume a um relacionamento romântico e não é só isso. Devemos amar a Deus em primeiro lugar e amar a nós mesmos, depois disso seremos capazes de amar aos outros. Sejam nossos parentes, amigos, namorado, cônjuge… e até os desconhecidos. – Mariah, atenta, não tirava os olhos da avó. – Se você seguir o caminho do amor, é bem provável que encontre alguém especial por lá. Porque você atrai o que transmite. Se você amar a Deus, amar a si mesma e viver o amor em seus dias, em algum momento encontrará alguém que seja e aja da mesma forma.

– Obrigada, vovó. – Mariah levantou-se e assentou ao lado de Joaquina, deu-lhe um forte e confidente abraço, cheio de carinho. Já se sentia melhor e depois de trocar mais algumas palavras, decidiu ir embora. Descendo os pequenos degraus da varanda rumo ao portão, ouviu mais uma vez a voz que lhe edificava o coração:

– Querida, não aceite migalhas enquanto Deus tem um banquete para você.

Os olhos da neta umedeceram-se, mas dessa vez não foi de tristeza e sim, de esperança.

***

Este texto faz parte de um projeto de escrita chamado Mais que Palavras {+QP}. O projeto consiste em um grupo que se reúne no facebook, onde é lançado um tema e/ou roteiro por mês para incentivar a nós, os que sonham em ser escritores, a sair da zona do conforto na hora de escrever. Os temas servem pra dar aquele empurrãozinho na criatividade.

Tema do mês de fevereiro: “Pra onde vai o amor?”

Indico os textos da Rute e Lizandra

+QP

PH POEM A WEEK | Toque

Meus olhos passeavam por seu rosto. Eles vasculhavam cada detalhe e se deliciavam ao observar a beleza de suas sardinhas e o sinal que ela tinha sobre os lábios. Como seus cílios eram grandes, mas ao mesmo tempo delicados, assim como sua fina e discreta sobrancelha. Tudo nela era delicadamente coeso. Seus olhos cor de mel sempre traziam consigo brilho e vida e perder-me neles era o que eu mais gostava de fazer.

Ela sorriu e as covinhas apareceram. Meu coração saltitou no peito. O que ela estaria pensando? Devíamos estar ali há uns cinco minutos, mas parecia uma eternidade. Não tocava nenhuma música no parque aquela tarde, mas o canto dos pássaros era a mais bela trilha sonora que poderia embalar aquele momento. Após quatro meses, minha mente e coração tinham certeza: era ela. Com seus cabelos longos, 1,55 de altura e coração do tamanho do mundo, era ela que eu queria para a vida toda.

Foram quatro meses orando, buscando, pedindo a Deus respostas. Meu maior medo sempre fora escolher errado e decepcionar Deus com minhas ações. Esse também era o maior medo dela. Unimos nossos medos e ousamos descobrir se poderíamos ser – juntos – um motivo de sorriso para Ele.

Eu descobri que sim. E não, Ele não me deu uma visão, profecia, sonho ou qualquer coisa parecida. Ele veio suave como a brisa, me fazendo enxergar que nossos propósitos eram iguais e os motivos pelos quais acordamos todos os dias também: Glorificá-Lo. Nesses quatro meses notei que ela podia ser ainda mais bonita quando observada por dentro. Seu sorriso iluminava todos à sua volta, e eu entendi o motivo de tanto amor, compaixão e entrega em uma pessoa só: Jesus. Ela era intimamente amiga dEle e ter certeza disso me fez pensar que quando a beleza exterior se for, o amor não irá junto.

E agora eu estava ali, diante dela, com o coração dividido entre felicidade e apreensão: será que ela observou o mesmo que eu? Será que ela encontrou tudo isso também em mim? Ela bem sabia tudo que se passava em meu coração. Minhas intenções, eu já tinha revelado, e o momento que mais ansiei nos últimos dias chegou. Meus olhos perdiam-se nos dela, quando percebi seus lábios abrirem-se levemente e deles saírem a melodia que fez meu coração soltar fogos de artifício:

– Sim.

Simples, rápido e estrondoso para meus ouvidos.

– Eu aceito namorar com você.

Não contive o riso ao observar seus olhinhos diminuírem-se à medida que seu sorriso também se abria. Não sabia muito bem o que fazer, então com as mãos trêmulas e suando frio, aproximei-me um pouco mais e levei meus dedos suave e pausadamente e peguei a sua mão. Seu rosto rosou-se ao primeiro toque e não posso dizer que eu também não tenha ficado com o rosto corado. Nós nunca tocamos um no outro nesse tempo. Abraço, beijo, mãos dadas… nada disso. Nosso relacionamento dali pra frente também não incluía beijos, mas agora eu podia entrelaçar meus dedos nos dela e fazer como naquele momento: passear pelo parque com a minha namorada e futura esposa.

Meu coração nunca esquecerá aquele primeiro tocar de mãos e entrelaçar de dedos, nem muito menos o sentimento de gratidão que invadia minha alma por completo naquela tarde. Somente me restou dar uma piscadinha para o Alto e me deixar ser envolvido com a certeza de que valeu a pena esperar.

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Esse texto faz parte do projeto PH Poem a week (Um poema por semana), em que todo mês são lançados temas semanais para criação de textos/crônicas/poemas/contos. Você pode saber mais sobre o projeto Aqui e também conhecer o grupo que se reúne no facebook para compartilhar os escritos. O tema da primeira semana de fevereiro é “Toque”.

Enjoy! (;

 

 

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Carta a um filho que cresceu

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Sabe filho, não sei explicar muito bem o que senti no dia que fiz a descoberta mais incrível da minha vida: seu coraçãozinho batia dentro de mim! Lágrimas de alegria jorraram de meus olhos. Algumas de apreensão também, afinal eu era tão nova, tão sem experiência com a vida… Mas você chegou e foi o suficiente para que eu me tornasse uma leoa cheia de coragem de lutar por você. Algumas pessoas me falaram coisas indecentes, como tirar você de dentro de mim antes que crescesse. Era nova, pobre e nem tinha casado no papel. Uma vida realmente difícil, mas eu optei por você. Escolhi gerar você e desde o começo eu sabia: é menino! Não sei como e nem por que, eu só sentia.

Não posso dizer que sua gestação foi a das mais fáceis. Eu sofri um bocado com dores emocionais e físicas e acredito que a maior delas foi te ver nascer tão roxinho, pequenininho, quase sem respirar. Você nasceu muito doente, filho. Mas a luz que sua chegada trouxe em minha vida foi maior do que qualquer complicação em sua saúde. Te amei intensamente muito antes de você nascer e quando te vi em meus braços… era como se o mundo tivesse parado.

E desde aquele dia, meu amor somente aumentou. Eu podia deixar de comer para que você não ficasse com fome, quantas vezes não comprei roupas para mim para que você andasse bem vestido, quantas noites sem dormir quando você passava mal e descobri que dar a minha vida por você? Fichinha para uma mãe tão cheia de amor.

Mas então você cresceu. E que lindo rapaz se tornou, meu filho.  Sua presença me alegra e seu sorriso ilumina toda a casa. Mas eu não entendo porque você sorri tão pouco. Também não consigo pensar no motivo de você não gostar de conversar comigo. Eu sei que sou exigente e algumas vezes chata, mas faz parte da arte de ser mãe, não é? Sabe filho, às vezes fico pensando no que eu fiz de errado depois que você cresceu. Juro que pensei estar fazendo tudo da melhor forma. Mas então porque você me responde tão mal? Suas respostas ríspidas e curtas quebram o meu coração em quatro. Queria tanto que você me enxergasse como amiga e dividisse sua vida comigo, mas a cada vez que pergunto algo sobre sua vida você dispensa suas meias palavras cheias de descaso. Seus gritos. Suas palavras secas. Suas ignorâncias em formato de palavras.

Desculpe te escrever isso, filho, mas eu precisava te dizer que mãe tem coração e que ele fica amassado como uma folha de papel quando recebe o desprezo de quem gerou. E para não me estender mais, queria te dizer também que eu continuarei aqui, ansiosa pelo dia em que sentirei novamente aquele abraço longo, apertado e cheio de amor que eu costumava ganhar de um menininho banguela há dez anos atrás. E tomara que esse dia não demore a chegar, afinal, mãe não vive pra sempre.

 

“O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe”

– Provérbios 10:1 –

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.”

– Efésios 6:1-4 –

“Filho meu, guarda o mandamento de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe; ata-os perpetuamente ao teu coração, pendura-os ao pescoço. Quando caminhares, isso te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo. Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida”

– Provérbios 6:20-23 –

Esse conto foi inspirado na história de uma mãe que eu conheço e apesar de não ser mãe, sou filha e ao me colocar no lugar dela pensei em quantas são desonradas por aqueles que deveriam amá-las. Sei que todas as mães têm defeitos, a minha tem e a sua também. E certamente nossos filhos, quando tivermos, também enxergarão defeitos em nós, mas falhas não são impeditivos de amor. Nunca devem ser. Que a gente consiga aproveitar a companhia e o amor de quem Deus colocou no mundo pra cuidar de nós (mesmo depois de adultos) e honra-las não só porque é o primeiro mandamento com promessa, mas porque fazê-las feliz também faz Deus feliz. E a alegria do Senhor é nossa força, né?! Curta sua mãezinha, releve os defeitos dela e trate-a como uma mulher que, antes de qualquer coisa, merece muito respeito.

E um abraço cheio de beijinhos especialmente pra minha querida digna de honra, mamãe Marli! Amo você!